Agricultura tradicional

 Diz-se desta agricultura que apresenta baixo rendimento e baixa produtividade porque  utiliza técnicas rudimentares... será esta uma verdade tão linear! 

Sempre fomos um país de agricultores. Mas a existência de problemas no desenvolvimento do sector agrícola em Portugal é uma notícia bem conhecida.

A Estremadura espanhola e a portuguesa  aderiram à Comunidade Europeia em 1986. Naquele  momento a  agricultura portuguesa representava cerca de 1/3 da grega e 15% da espanhola. O crescimento deu-se essencialmente na  produção animal e a produtividade média da agricultura, quando comparada com a de outros países, apresentou sempre valores decepcionantes…

Mas afinal onde está a raiz do problema?

Talvez o enigma se situe numa visão sectorial em que prevaleça a palavra do sector da economia sobre os outros sectores. Numa concepção em que importa mais o valor do PIB do que  o valor do sector da qualidade de vida - de acordo com Jürgen Habermas, é um universo onde os subsistemas económico e político suplantam o mundo vivencial.

Diz-se que o país não soube tirar partido de fundos comunitários de garantia de preços ou de reconversão agrícola, postos à sua disposição. Diz-se que não empreendeu uma estratégia  comercial agrícola baseada em vantagens competitivas que lhe trouxesse dinamismo e vitalidade. Tratar-se-á de um fenómeno endémico?

Que mau hábito se criou  este de que as instituições têm o direito de falar pelos indivíduos. Nós não precisamos de aceitar estes ditos como se fossem uma verdade absoluta. Até porque sabemos que uma legislação imposta à sociedade e decorrente de obrigações vindas de outra escala de direito que não a nacional ou regional pode ser problemática e inadequada.

É uma falta de responsabilidade da nossa parte deixarmos que outros pensem por nós? Aceitarmos que não há entre nós estratégias, nem espírito empreendedor… que somos incapazes de se modernizar… Que nos importa o peso do rendimento agrícola se não temos qualidade agrícola?



A nossa agricultura tradicional é praticada em pequenas propriedades. É verdade - são as que temos -, mas produz  grande variedade de alimentos! E os factores naturais  do país (clima; solo; e o relevo) são excepcionais e comportam-se sempre a nosso favor!

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